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Acorda Para Comunhão na Missão

Portuguese

A Comissão Lambeth no seu Relatório Windsor recomendou e insistiu que os bispos primazes considerassem a adoção pelas igrejas da Comunhão Anglicana de um Acordo anglicano comum, que poderia explicitar e fortalecer a lealdade e os vínculos de afeição que governam as relações entre as igrejas da Comunhão Anglicana.[1]        

IASCOME tem discutido formas de incrementar os imperativos de missão na Comunhão Anglicana, seguindo o processo dos Companheiros em Missão e a Década de Evangelização. A idéia de um Acordo para a Comunhão na Missão surgiu como uma proposta chave. Nós acreditamos que um Acordo, reunindo os valores da missão comum, que poderiam ser usados como base na busca de relações formais entre as igrejas, sociedades, organizações missionárias e redes da Comunhão Anglicana, poderia fornecer um focus significativo de unidade na missão para a Comunhão Anglicana.

Nas Escrituras, os acordos são centrais no Velho Testamento na relação de Deus com Noé, com Abraão, com Moisés e com o povo de Israel. Jeremias e Ezequiel profetizaram a vinda de uma nova aliança – em que Deus dará ao seu povo um coração novo e uma nova vida, e andará com eles e eles com Ele. No Novo Testamento, Jesus inaugura esta Nova Aliança. Ela foi marcada pela quebradura de seu corpo e pelo derramamento de seu sangue, e celebrada na refeição cristã central da Eucaristia e efetivada através da Ressurreição de Jesus Cristo para todos os povos em todos os tempos.

IASCOME considerou em profundidade a natureza do acordo. Reconhecemos que em nossas culturas um acordo é um pacto sério e significativo. Os acordos  se referem fundamentalmente às relações em que alguém participa voluntariamente, enquanto os contratos podem ser vistos como um documento legal sob o princípio de um organismo governamental. Os acordos são oferecimentos voluntários e de livre vontade de um para com o outro, ao passo que os contratos são entidades unidas cujo focus de autoridade é externamente unilateral. Os acordos são relacionais: relacionais entre aqueles que participam do acordo e relacionais com e diante de Deus.

Como igrejas anglicanas, temos uma tradição de acordos que ajuda a esclarecer nossas relações com outras igrejas ecumênicas, como o Acordo Porvoo entre a Igreja da Inglaterra e as Igrejas Luteranas Bálticas, e o Chamados Para a Missão Comum entre a Igreja Episcopal e a Igreja Evangélica Luterana na América.

Recomendamos para consideração pelo Conselho Consultivo Anglicano e para teste dentro da Comunhão Anglicana os seguintes nove pontos do Acordo. Acreditamos que ele proporcionará a base para um acordo entre as igrejas anglicanas em nível nacional – mas também poderá ser usado pelas paróquias e congregações locais, movimentos de missão, redes, dioceses companheiras, etc. Acreditamos que o Acordo Para Comunhão na Missão proporcionará dessa forma um focus unindo a Comunhão Anglicana de uma maneira diferente daquela que está prevista no Relatório Windsor.

O Acordo é deliberadamente genérico em seus princípios. Na sua compreensão de missão, está baseado nas Cinco Marcas de Missão do Conselho Consultivo Anglicano de 1984 e 1990.2 Fornece uma estrutura dentro da qual aqueles que entram no Acordo podem identificar tarefas específicas e aprendizagem que se relacionam com as suas situações particulares.[2]

Acordo Para Comunhão Na Missão

Este convênio significa o nosso chamado comum para participar na missão reconciliadora e pastoral em favor de nosso abençoado mas alquebrado e ferido mundo.

Em nossas relações como irmãos e irmãs em Cristo, vivemos na esperança da unidade que Deus realizou em Jesus Cristo pelo poder do Espírito Santo.

O preâmbulo reconhece que o mundo é um mundo que foi abençoado por Deus, mas este trabalho de Deus por meio de Jesus, fortalecido pelo Espírito Santo, foi dado para curar suas feridas e reconciliar o mundo alquebrado. O preâmbulo nos lembra que como cristãos somos chamados a compartilhar nossas relações na missão de Deus a um mundo mais amplo, dando testemunho do reino de amor, de justiça e de alegria que Jesus inaugurou.

  1. Nutridos pelas Escrituras e Sacramentos, comprometemo-nos a
    Os nove pontos do acordo estão baseados nas Escrituras e nos Sacramentos, proporcionando nutrição, direção e força para a jornada dos participantes do Acordo em conjunto.
  2. Reconhecer a Jesus nas vidas e nos contextos de uns e de outros.
    Os nove pontos começam com Jesus Cristo, a fonte e inspiração de nossa fé, e conclama os signatários do acordo na missão para procurar, reconhecer, aprender e se alegrar na presença de Jesus agindo nas vidas e situações do outro.
  3. Apoiar um ao outro em nossa participação na missão de Deus
    O ponto dois reconhece que não podemos servir a missão de Deus de maneira isolada e solicita mútuo apoio e encorajamento em nossos esforços.
  4. Encorajar expressões de nossa vida nova em Cristo
    O ponto três solicita àqueles que entram no acordo a encorajar uns aos outros, na medida em que desenvolvemos uma nova compreensão de nossas identidades em Cristo.
  5. Compartilhar propósitos comuns e explorar as diferenças e as divergências
    O ponto quatro proporciona reuniões francas e abertas em que o discernimento e a aprendizagem podem ser compartilhados e as dificuldades superadas.
  6. Desejar mudar como resultado  das críticas e desafios dos outros
    O ponto cinco reconhece que assim como os desafios surgem assim também as mudanças serão necessárias à medida que o discipulado de Cristo é aprofundado, resultando ambos da experiência na missão e do acometimento com aqueles com os quais estamos acordados.
  7. Celebrar nossas forças e lamentar nossos fracassos
    O ponto seis solicita honrar e celebrar nossos sucessos, e reconhecer e registrar nossa tristeza e fracassos na esperança da restauração e reconciliação.
  8. Compartilhar eqüitativamente nossos recursos dados por Deus
    O ponto sete enfatiza que há recursos a compartilhar – não só dinheiro e recursos humanos, mas idéias, orações, estímulos, desafios, entusiasmo, e conclama à iniciativa de uma ampla participação de tais recursos, especialmente quando um dos participantes deste acordo tem mais do que o outro.
  9. Trabalhar unidos pela sustentabilidade da criação de Deus
    O ponto oito sublinha que a preocupação de Deus é pela totalidade da vida – não só pelos seres humanos, mas por toda a ordem criada – e por isso somos chamados a salvaguardar a integridade da criação e sustentar e renovar a vida na terra.
  10. Viver na promessa da reconciliação de Deus por nós mesmos e pelo mundo
    O último ponto fala da futura esperança pela qual estamos vivendo, a esperança de um universo reconciliado – em que a vontade de Deus será feita assim na terra como no céu, pela qual Jesus nos ensinou a orar.

Fazemos este acordo na promessa de nossa mútua responsabilidade e interdependência no Corpo de Cristo.

A conclusão proporciona uma forte lembrança de que precisamos uns dos outros, que somos responsáveis uns pelos outros e que somos mutuamente interdependentes no Corpo de Cristo.

IASCOME propõe que o CCA recomende o Acordo Para Comunhão na Missão às igrejas da Comunhão Anglicana para estudo e implementação e o submeta ao próximo IASCOME para avaliação de sua aceitação na Comunhão Anglicana. IASCOME propõe também que o CCA envie o Acordo Para Comunhão na Missão aos organismos da Comunhão Anglicana para continuarem as considerações do Acordo para a Comunhão Anglicana, como foi recomendado pelo Relatório Windsor e pelo Comunicado da Reunião dos Primazes de fevereiro de 2005. Para esse fim, IASCOME apresenta a seguinte resolução para adoção pelo CCA-13:  

Resolução do CCA – Este Conselho Consultivo Anglicano:

  1. Recomenda o Acordo Para Comunhão na Missão às igrejas da Comunhão Anglicana para estudo e implementação como uma visão da fidelidade anglicana para a missão de Deus;
  2. Enviar o Acordo Para Comunhão na Missão aos organismos da Comunhão Anglicana, encarregados de continuar as considerações do acordo para a Comunhão Anglicana, nos termos recomendados pelo Relatório Windsor e pelo Comunicado dos Bispos Primazes de fevereiro de 2005.
  3. Submete o Acordo Para Comunhão na Missão a próxima Comissão Permanente Inter-Anglicana sobre Missão e Evangelismo para monitorar as  respostas e avaliar a eficácia do Acordo Para Comunhão na Missão em toda a Comunhão Anglicana. 

[1] Relatório Windsor

[2] Proclamar as Boas Novas do Reino de Deus; ensinar, batizar e nutrir os crentes; atender às necessidades humanas no serviço de amor; transformar as estruturas injustas da sociedade; salvaguardar a integridade da criação e sustentar e renovar a vida sobre a terra.